As autoridades japonesas enfrentam um problema a mais no país atingido recentemente pelos fortes tremores dos terremotos e as ondas dos tsunamis: parte da rede elétrica do país opera em corrente alternada na frequência de 60 Hz, enquanto que a outra parte adota 50 Hz. Esta discrepância impede que a parte norte-nordeste do país, que foi a mais afetada pelos desastres naturais, receba energia elétrica das usinas localizadas no sul do Japão, região que foi pouco afetada pelos tremores de terra.Esta situação de um país com sua rede elétrica dividida ao meio é uma herança da forma como a energia elétrica foi implantada no Japão. A eletricidade foi levada ao Japão a partir da fundação em 1883 da empresa Tokyo Electric Light Co. O sucesso do empreendimento fez com que em 1895 a empresa fizesse a compra de geradores elétricos maiores da Alemanha, da empresa AEG, fornecendo energia elétrica em 50 Hz, padrão adotado na Europa. Quase na mesma época houve também a fundação na cidade de Osaka de outra empresa, a Osaka Electric Lamp, que fez a importação de equipamentos geradores funcionado em 60 Hz fabricados pela General Electric nos EUA. Naquela época esta diferença nas frequências de geração de energia elétrica não tinha muita importância, pois os sistemas operavam de forma isolada e as lâmpadas elétricas funcionavam de forma indiferente em 60 Hz ou 50 Hz. Mas esta situação fez com que, com o passar do tempo, o Japão estivesse com sua rede elétrica dividida ao meio. A região ocidental do Japão, incluindo Tokyo, Yokohama, Tohoku, Hokkaido e toda a região nordeste do Japão que foi afetada pelos recentes terremotos são alimentadas por usinas funcionando em 50 Hz. A região oriental, incluindo Nagoya, Osaka, Kyoto, Hiroshima, Shikoku, Kyushu, praticamente isenta de danos do terremoto, é servida em 60 Hz. A conexão entre os dois sistemas elétricos é feita por estações conversoras, mas cuja capacidade é de apenas 1 GW.
Quando os terremotos atingiram recentemente o Japão, foram desligadas 11 usinas que estavam em operação, incluído as três centrais nucleares da área de Fukushima Daiichi, que estão no centro dos problemas de vazamento de radioatividade enfrentados pelo Japão. Com estes 11 reatores desligados, aproximadamente 9,7 GW foram perdidos em capacidade de geração da área de 50 Hz. Isto conduziu à necessidade de severo racionamento de energia, chegando a medidas como redução da luz em escritórios, desligamento dos anúncios comerciais em neon e LED e até mesmo o desligamento das escadas rolantes nas estações do metrô de Tókio. Enquanto isto, os moradores da área de 60 Hz do Japão não sofreram nenhum prejuízo no fornecimento de energia elétrica após os terremotos.


