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domingo, 20 de março de 2011

Herança do passado traz problemas para a rede elétrica do Japão após terremoto e tsunamis

As autoridades japonesas enfrentam um problema a mais no país atingido recentemente pelos fortes tremores dos terremotos e as ondas dos tsunamis: parte da rede elétrica do país opera em corrente alternada na frequência de 60 Hz, enquanto que a outra parte adota 50 Hz. Esta discrepância impede que a parte norte-nordeste do país, que foi a mais afetada pelos desastres naturais, receba energia elétrica das usinas localizadas no sul do Japão, região que foi pouco afetada pelos tremores de terra.

Esta situação de um país com sua rede elétrica dividida ao meio é uma herança da forma como a energia elétrica  foi implantada no Japão. A eletricidade foi levada ao Japão a partir da fundação em 1883 da empresa Tokyo Electric Light Co. O sucesso do empreendimento fez com que em 1895 a empresa fizesse a compra de geradores elétricos maiores da Alemanha, da empresa AEG, fornecendo energia elétrica em 50 Hz, padrão adotado na Europa. Quase na mesma época houve também a fundação na cidade de Osaka de outra empresa, a Osaka Electric Lamp, que fez a importação de equipamentos geradores funcionado em 60 Hz fabricados pela General Electric nos EUA. Naquela época esta diferença nas frequências de geração de energia elétrica não tinha muita importância, pois os sistemas operavam de forma isolada e as lâmpadas elétricas funcionavam de forma indiferente em 60 Hz ou 50 Hz. Mas esta situação fez com que, com o passar do tempo, o Japão estivesse com sua rede elétrica dividida ao meio. A região ocidental do Japão, incluindo Tokyo, Yokohama, Tohoku, Hokkaido e toda a região nordeste do Japão que foi afetada pelos recentes terremotos são alimentadas por usinas funcionando em 50 Hz. A região oriental, incluindo Nagoya, Osaka, Kyoto, Hiroshima, Shikoku, Kyushu, praticamente isenta de danos do terremoto, é servida em 60 Hz. A conexão entre os dois sistemas elétricos é feita por estações conversoras, mas cuja capacidade é de apenas 1 GW.

Quando os terremotos atingiram recentemente o Japão, foram desligadas 11 usinas que estavam em operação, incluído as três centrais nucleares da área de Fukushima Daiichi, que estão no centro dos problemas de vazamento de radioatividade enfrentados pelo Japão. Com estes 11 reatores desligados, aproximadamente 9,7 GW foram perdidos em capacidade de geração da área de 50 Hz. Isto conduziu à necessidade de severo racionamento de energia, chegando a medidas como redução da luz em escritórios, desligamento dos anúncios comerciais em neon e LED e até mesmo o desligamento das escadas rolantes nas estações do metrô de Tókio. Enquanto isto, os moradores da área de 60 Hz do Japão não sofreram nenhum prejuízo no fornecimento de energia elétrica após os terremotos.

Fontes: IT World & Wired

quarta-feira, 16 de março de 2011

Filme em alta definição mostra imagens REAIS de Saturno


O filme acima foi feito a partir de milhares de fotografias feitas pelas câmeras instaladas na nave espacial automática Cassini da NASA. Não se trata de computação gráfica, simulação ou cenários. São imagens REAIS do planeta Saturno e de suas "luas", obtidas por câmeras de alta resolução e enviadas para a Terra pelas antenas na nave Cassini. O único detalhe é que a nave Cassini levou meses para fazer a viagem e captar as imagens, que são exibidas em poucos segundos como se estivéssemos a bordo de um veloz foguete se aproximando do planeta Saturno.

Estas imagens fazem parte de um projeto de grande porte destinado à produção de um filme em alta definição a ser exibido em cinemas IMAX. O filme não tem data para ser lançado mas já tem o nome definido: Outside In (sem título ainda em português).

A nave espacial Cassini-Huygens é um projeto colaborativo entre a Agência Espacial Européia (ESA) e a Agência Espacial Norte-Americana (NASA) para estudar Saturno e as suas luas através de uma missão espacial não tripulada. A nave espacial consiste de dois elementos principais: o módulo Cassini, projetado para entrar em órbita com o planeta Saturno, e a sonda Huygens, destinada a alcançar o satélite Titan de Saturno. Foram lançadas da base de lançamentos da NASA em Cabo Canaveral em 15 de Outubro de 1997 e entraram na órbita de Saturno no dia 1.° de Julho de 2004, após percorrerem 3,5 bilhões de quilômetros. É a primeira nave espacial a orbitar Saturno. No caminho para Saturno, o conjunto Cassini-Huygens passou a curta distância do planeta Júpiter, enviando também fantásticas fotografias deste planeta gigante.

No dia 25 de dezembro de 2004 a sonda Huygens separou-se da Cassini e dirigiu-se no rumo de Titan, tendo entrado na atmosfera do maior satélite de Saturno no dia 14 de janeiro de 2005. Titan, apesar de ser um satélite de Saturno, é maior do que o planeta Mercúrio e aparentemente a única "lua" do sistema solar a possuir um atmosfera própria. Durante a jornada rumo a Titan, a sonda Huygens enviou para a Cassini 350 fotografias, que foram retransmitidas para a Terra. No entanto uma outra câmera, destinada a obter mais 350 fotos, apresentou defeito no transmissor e estas outras fotos foram perdidas. A nave Cassini continuará em órbita de Saturno possivelmente até 2017, enviando regularmente fotografias e outros dados para a Terra.

A nave espacial Cassini recebeu este nome em homenagem ao astrônomo e matemático Giovanni Domenico Cassini, nascido na cidade de Perinaldo, República de Gênova, hoje Itália, em 8 de junho de 1625. Foi professor na Universidade de Bolonha na cátedra de astronomia, mas suas principais descobertas ocorreram a partir de 1669, quando foi chamado pelo Rei da França Luís XIV a fim de tomar parte como membro da Academia de Ciências de Paris, fundada em 1667. No ano seguinte Cassini foi nomeado diretor do Observatório Astronômico de Paris, descobrindo em 1671 e 1672 as luas de Saturno Jápeto e Reia e, em 1684, dois outros satélites do planeta dos anéis, Tétis e Dione. Cassini ficou cego em 1710 e, dois anos depois, no dia 14 de setembro de 1712, faleceu em Paris. Foram seus sucessores na direção do Observatório Astronômico de Paris seu filho Jacques, seu neto César François e seu bisneto Jean Dominique.

A sonda espacial Huygens homenageia o astrônomo holandês Christiaan Huygens, nascido em Haia em 14 de abril de 1629. Huygens foi o primeiro a identificar os anéis de Saturno como uma estrutura circundante ao planeta. Na verdade Galileu Galilei já tinha observado os anéis de Saturno, porém seu telescópio primitivo não lhe permitiu identificar com clareza a estrutura como anéis. Galileu acreditava, pelas imagens que via, que Saturno seria um sistema planetário triplo. Huygens, com um telescópio mais poderoso, pôde identificar os anéis e descobrir Titan, a maior lua de Saturno e a segunda maior do sistema solar, em 1655. Huygens também é conhecido por seus trabalhos no campo da óptica, onde propôs uma teoria ondulatória para a luz, em oposição aos trabalhos de Isaac Newton, que supunham a luz formada por partículas. Huygens faleceu em Haia, em 14 de abril de 1629.

O site http://www.ciclops.org/index.php contém centenas de imagens enviadas para a Terra pelas câmeras de alta resolução da Cassini.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Thunderbolt: nova conexão serial da Intel vai aposentar os cabos USB




Thunderbolt - este será o nome dos conectores e cabos que vão interligar no futuro os computadores com seus dispositivos periféricos, como câmeras de vídeo, monitores de alta resolução e sistemas de armazenamento de dados de alta capacidade. Desenvolvido pela Intel em parceria com a Apple, é uma interface serial capaz de transmitir dados a uma incrível taxa de 10 GB/s, muito maior do que o que se obtém nos cabos USB 2.0 ou mesmo no relativamente recente USB 3.0.
A idéia original da Intel era desenvolver uma interface serial de alta velocidade usado fibras ópticas, razão pela qual o projeto foi batizado inicialmente de Light Peak. No entanto durante a fase de desenvolvimento do projeto os testes demonstraram que cabos metálicos de cobre poderiam atingir a taxa de transmissão desejada, surpreendendo os técnicos. Na verdade a Intel continua trabalhando em uma versão óptica do Thunderbolt, com cabos formados por fibras ópticas de 62,5 micrometros de diâmetro e comprimento de até 100 metros. Mas a opção por cabos de cobre tem a vantagem de poder transmitir alimentação elétrica junto com o fluxo de dados, o que é conveniente para a conexão de dispositivos portáteis aos computadores.
O primeiro produto comercial a usar o novo conector Thunderbolt é a nova versão do notebook  MacBook Pro da Apple, lançado em fevereiro de 2011.


Maiores detalhes em: EE Times - Ten things to know about Intel's Thunderbolt 

terça-feira, 1 de março de 2011

Rádio de mão-dupla dobra velocidade de redes wireless

Você já se perguntou porque pilotos e outros profissionais que usam comunicação por rádio sempre falam "Câmbio" quando terminam de falar? É por que a comunicação por radiofrequência é uma via de mão única, o que obriga os interlocutores a combinarem uma forma de definir a hora de cada um falar. Ao dizer "Câmbio" (over, em inglês), passa-se a palavra para o outro.

Isso ocorre porque o tráfego das ondas de rádio pode fluir apenas em uma direção de cada vez em uma frequência específica. E isso não é assim apenas para os pilotos, profissionais de emergência, radioamadores e usuários de walkie-talkies, mas em qualquer comunicação por radiofrequência - incluindo aquelas que mais recentemente está-se convencionando reunir na categoria de wireless. Ao trocar dados, um equipamento envia uma espécie de "câmbio binário" para que o equipamento receptor saiba que todos os dados já chegaram e que ele pode responder.

As redes de telefonia celular permitem que os usuários falem e ouçam ao mesmo tempo, mas elas usam uma forma de contornar essa deficiência que é caro e exige um planejamento cuidadoso, uma técnica menos viável para as outras redes sem fio, incluindo as Wi-Fi.

Agora, engenheiros da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, desenvolveram os primeiros rádios capazes de enviar e receber sinais simultaneamente.

O impacto da descoberta é imediato: ela equivale a dobrar a velocidade na troca de informações de qualquer tecnologia sem fio. Os livros didáticos dizem que você não pode fazer isso, afirma Philip Levis, coordenador da pesquisa. Este sistema reconstrói completamente todos os nossos pressupostos sobre como as redes sem fio podem ser projetadas.

Os cientistas descobriram uma forma de fazer com que o equipamento que está transmitindo filtre sua própria transmissão, o que o torna capaz de processar o que está sendo recebido naquele mesmo instante. Quando um rádio está transmitindo, a sua própria transmissão é milhões, bilhões de vezes mais forte do que qualquer outra coisa que ele possa ouvir [de outro rádio], explica Levi. É como tentar ouvir um sussurro, enquanto você mesmo está gritando.

Como cada transmissor sabe exatamente o que está transmitindo, não é necessário nenhum processamento adicional para que ele saiba o que filtrar - o processo é similar ao usado nos fones de ouvido para cancelar os ruídos externos.

O grupo está agora tentando aumentar a potência das transmissões e as distâncias que a técnica alcança. Estas melhorias serão necessárias antes que a tecnologia seja prática para uso em redes Wi-Fi, por exemplo.