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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Hispasat vai lançar satélite Amazonas 2


A Hispasat anunciou para o fim de setembro de 2009 o lançamento do satélite Amazonas 2, que vai aumentar a capacidade e a flexibilidade operacional do sistema de satélites da operadora espanhola. O satélite, fabricado pela Astrium, já se encontra na base de lançamentos da Agência Espacial Europeia, em Kourou, na Guiana Francesa, e será colocado em órbita por um foguete Ariane 5 ECA.

O Amazonas 2 cobrirá todo o continente americano, desde o Alasca, no extremo Norte, até a Terra do Fogo, no extremo Sul. O satélite possui 64 transponders (54 em banda Ku e 10 em banda C), que o tornam adequado para satisfazer as novas demandas de telecomunicações dos clientes do grupo. Este novo satélite terá uma massa de lançamento de 5,5 toneladas, um painel solar expandido em órbita de mais de 39 metros e uma potência superior a 14 kW ao final da sua vida útil.

A empresa investiu mais de 200 milhões de euros no desenvolvimento deste projeto, com recursos próprios e provenientes de empréstimos internacionais. Para a presidente da Hispasat, Petra Mateos, o lançamento do Amazonas 2 proporcionará ao grupo moderna e competitiva capacidade de comunicações na América. "Este novo desafio empresarial nos permite continuar na vanguarda das telecomunicações espaciais do futuro", afirmou.

Em toda a América do Sul existe receio de que os serviços de TV por Satélite, atualmente alocados no Satélite Amazonas 1, sejam transferidos para o novo satélite. O satélite Amazonas 1 se tornou muito conhecido na região quando foi "quebrada" a criptografia empregada para codificar os sinais de TV emitidos pelo satélite. Desta forma, milhares de pessoas compraram receptores compatíveis com os sinais do Amazonas 1 e tem recebido a programação de centenas de canais de TV sem ter que pagar um plano de assinatura. O tema foi objeto de uma mensagem recente no site NoWires e causou muito impacto. Se os serviçõs de TV do Amazonas 2 usarem uma ouytra criptografia, os receptores adaptados de TV do tipo AZBox, ProBox e AZ-America se tornarão inúteis, a não ser que se consiga novamente "quebrar" o código de criptografia dos sinais do satélite.

Fonte: Blog do Jornalista Ethevaldo Siqueira & Hispamar

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Chile e Peru vão adotar o mesmo sistema de TV digital do Brasil

A campanha do governo pelos países vizinhos para divulgar o padrão de TV digital escolhido pelo Brasil continua dando frutos. Nesta segunda-feira, 14 de setembro, o Ministério das Comunicações anunciou duas novas adesões ao sistema nipo-brasileiro de transmissão digital de TV. Enquanto a cúpula do governo brasileiro recebia uma comitiva peruana para o anúncio oficial da adoção do padrão, a embaixada do Chile confirmava ao Ministério das Comunicações a escolha do sistema pela presidente Michelle Bachelet.

Todos os detalhes dos acordos firmados com os dois países ainda não foram divulgados, mas além da cooperação técnica, típica nesses protocolos, o Brasil sinaliza com uma boa ajuda financeira aos novos parceiros. Após o anúncio formal, feito juntamente com o ministro de Transportes e Comunicações do Peru, Enrique Cornejo, o ministro Hélio Costa contou aos jornalistas que o país vizinho também terá acesso à linha de financiamento criada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) para a implantação da TV digital. A linha, no valor total de R$ 1 bilhão, está disponível desde 2007 e deve ser mantida, em princípio, até 31 de dezembro de 2013.

A idéia de permitir que outros países usem os recursos do BNDES na implantação da TV digital já havia sido comentada em momentos anteriores pelo ministro Hélio Costa. A novidade é que o ministro sinalizou hoje com a possibilidade de ampliação do escopo de financiamento. Atualmente, de acordo com dados oficiais do BNDES, a linha só pode ser usada para aquisição de equipamentos fabricados no Brasil. Mas Costa defende que não haja restrições ao uso da verba.

"Se for (limitado o uso da linha), vamos conversar com o BNDES. Até porque não há imposição nenhuma da lei para que o financiamento seja apenas de equipamentos nacionais", afirmou o ministro, fazendo referência ao decreto de implantação da TV digital no Brasil. O ministro peruano não confirmou se já há interesse em usar os recursos do BNDES, mas fez uma projeção de quanto custará a implantação do sistema em seu país.

Pelos cálculos iniciais, o país terá que investir US$ 80 milhões para cobrir as oito principais cidades peruanas, atendendo a cerca de 54% da população até 2015.

Até o momento, o Brasil já conseguiu convencer Peru, Chile e Argentina. Além disso, haveria um pré-acordo com Cuba. Equador e Venezuela também estariam prestes a adotar o modelo nipo-brasileiro, segundo o Ministério das Comunicações , e Bolívia e Paraguai estariam na fase dos "entendimentos". Com isso, o ministro Hélio Costa já comemora o sucesso da empreitada de avançar com o padrão escolhido pelo Brasil.

"Estamos caminhando para um sistema, no mínimo, sul-americano de TV digital, o que é muito importante do ponto de vista cultural e intelectual", declarou. Quanto a países que já fizeram sua escolha por outro sistema - como é o caso do Uruguai, que optou pelo padrão europeu - o governo brasileiro deve continuar insistindo no processo de convencimento. "Todo mundo que errou tem o direito de se consertar", declarou o ministro ao ser questionado sobre o Uruguai.

O ministro peruano Enrique Cornejo também se mostrou satisfeito com a escolha feita. "Viemos nessa visita oficial com grande alegria, mas também com grande certeza de que tomamos a decisão certa", afirmou. Cornejo disse que analisaram por dois anos os padrões tecnológicos disponível sob três eixos: tecnológico, econômico e em termos de cooperação. "E nesses três quesitos, o sistema brasileiro se mostrou largamente melhor", concluiu.

Em meio ao anúncio, uma antiga polêmica voltou à tona: a promessa de que, ao adotar o padrão japonês, o Brasil ganharia suporte para a instalação de uma fábrica de semicondutores em território nacional. Mesmo com a construção da fábrica tendo sido vastamente divulgada e comemorada pelo governo brasileiro na época do acordo com o Japão, Hélio Costa negou hoje que este item fizesse parte do acordo. "Nós não negociamos a fábrica, pelo contrário. Nós pedimos que os japoneses nos auxiliassem com a tecnologia. Isso não consta do acordo", afirmou o ministro.

Segundo Costa, a fábrica - mesmo fora do acordo - só não foi implantada até hoje por culpa do próprio Brasil, que não teria mão de obra qualificada para tocar um linha de montagem com a sofisticação exigida para este ramo. "Nós precisamos deixar muito claro que os entendimentos só não se deram com a velocidade que a imprensa espera, e que nós mesmos esperamos em alguns momentos, porque nós não estávamos preparados para receber essa fábrica. É preciso um conhecimento refinadíssimo para uma linha de montagem assim", argumentou.

O ministro ponderou que o Brasil tem avançado nesse ramo, especialmente com os trabalhos conduzidos pela Ceitec. Ainda assim, não quis fazer nenhuma previsão de quando o país será capaz de ter uma grande fábrica de semicondutores. "A perspectiva depende de um conjunto de fatores. E não sou eu que tem que dizer como fazer", concluiu.

Fonte: Teletime